


Terça-feira, Abril 12, 2005
Enquanto o menino não grava
Eu pensei em uma música pop que falasse por mim. Não encontrei, mas deve existir, eu sei. E, se não existir, nesse momento um menino que cresceu ouvindo Joy Division, Sonic Youth, Pavement, Sebadoh, Jesus and Mary Chain entre tantas outras, ensaia seus primeiros acordes e escreve seus primeiros versos sobre o que sente. Eu vejo, ou quero ver, um menino com sorriso contido no rosto, o mesmo sorriso de sempre. Enquanto escreve, lembra, e deixa de sorrir para gargalhar.
Quantos sentimentos compartilhamos sem ao menos saber? Até o mais bobo do pensamento é compartilhado por alguém, um desconhecido. Em algum ponto do mundo, talvez ao seu lado, existe essa pessoa que sorri pelos mesmos motivos, se emociona e chora. Não é mágico, nem romântico, simplesmente acontece.
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Eu ouvia Novak com Blue Chinook enquanto escrevia o texto.
:: Resmungado por Cesar às 8:43 PM ::
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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005
Samba no pé
Não vou mentir, sambei muito nesse carnaval. Sério mesmo! Coloquei camisa florida, calça branca e um sapatinho sem meias. Girei o pandeiro numa mão enquanto beliscava bundas de mulatas com a outra. Com direito a sorriso plástico, sacudidinhas de cabeça, movimentos circulares de braço e tudo mais que um carioca bom de samba faria. Sambei como nunca, até os músculos da perna doerem! Realizei movimentos até então desconhecidos pelo meu corpo. Poxa, eu realmente sei sambar.
Tudo começou no sábado, enquanto caminhava pelo centro de Curitiba. Vi duas meninas com fantasias de fadas e logo pensei: sabe, eu deveria sambar. Foi o que fiz! Não sei fui inspirado pelo Carlinhos de Jesus, Mikhail Baryshnikov ou Clodovil, só sei que saí sambando no meio da rua que nem um louco. As fadinhas, batendo suas asas frágeis, me rodeavam sorrindo enquanto eu me acabava na batida contagiante do samba. Quando olhei para o lado, percebi que mulatas haviam se juntado a mim. Sorrindo, elas rebolavam e chamavam atenção dos homens q observavam a cena boquiabertos. A magia do momento, a pegada única do samba, contagiou todos que passavam pela avenida. Em poucos minutos, todos pulavam, enquanto o gari batucava nas lixeiras, o motorista de ônibus buzinava no ritmo da música e as pessoas presentes gritavam freneticamente: Ô balance, balance, quero dançar com você. Entra na roda morena pra ver. Ô balance, balance!
E foi assim, um musical, todo o carnaval. Acabou quando o despertador tocou às 7 horas, indicando que um dia sem samba se iniciava. Nada de batuque, mulatas e dança.
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Ao som de Thee More Shallows - Ask Me About Jon Stross
:: Resmungado por Cesar às 11:00 PM ::
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Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Um pouco sobre alguém
Eu acho que sou nerd, acho mesmo. Poderia citar dezenas de exemplos que convenceriam vocês aí, que tem essa idéia de que eu sou mauzão, de que, na verdade, não passo de um nerd. Não estou me referindo necessariamente a notas altas. Não é a nota, é o grau de dependência.
Eu sou meio desajeitado com meninas. Acabo falando alguma coisa errada em um momento inadequado. Isso acontece porque não gosto de perder piadas. Algumas se ofendem com as brincadeiras. Outras pensam que sou grosso. Eu acho que a maioria não entende. Mas também não é o caso de eu ligar muito pra isso. Eu trocaria a companhia de boa parte das meninas que conheci por um bom cinema ou DVD. A outra metade eu trocaria por uma sessão de tortura chinesa. Talvez reste umas 7 ou 8 meninas que eu realmente aprecio ou apreciei a companhia. Também trocaria menina por sorvete, o que eu devo admitir que já fiz. Na maioria das vezes acho as pessoas chatas e acabo nem dando bola mesmo.
Eu sou babaca o suficiente para observar o mundo como um top 5. Top 5 de músicas para momentos alegres: (5) Wannadies - Friends; (4) Rentals - Friends of P; (3) Scissor Sisters - Take Your Mama Out; (2) Beatles - Ob-la-di, Ob-la-da; (1) Weezer - Island in the Sun. Top 5 momentos para chorar: (5)Final de E.T.; (4) Billie Holiday cantando I Wished on the Moon; (3) A cena em que os soldados tomam o cume em Além da linha vermelha; (2) o final de Ghost World. (1) a cena final de Luzes da cidade. Ontem, no meio de um telefonema, fiz um top 5 das pessoas que deveriam morrer em 2005. Deu pra entender.
Nunca fui preso e nem fui um adolescente problemático, mas devo admitir que achei algumas das idéias de Tyler Durdeen interessantes. Nunca tentei fazer sabão nem vi nitroglicerina na minha frente, porém fiz uma bomba utilizando pólvora de uma caixa de rojões quando era adolescente. Juntei toda a pólvora em uma pedra plana e joguei outra em cima. A explosão quebrou as duas pedras, que espirraram na minha canela. Além disso, fiquei com o ouvindo zunindo por dois dias. Adoraria inserir órgãos genitais ou um pedaço do programa da Hebe Camargo em meio a filmes comerciais.. Eu também gostaria de explodir um prédio, provavelmente a torre da Telepar, aqui em Curitiba. Ela é deveras feia. Quando estou na rua, tenho vontade de chutar pombos e de passar rasteira em pessoas com muleta. Fico imaginando como elas cairiam.
Costumo duvidar de tudo. Sou bem cético mesmo. Duvido que vocês sejam mais céticos que eu. Não chego a acreditar que o homem nunca pisou na lua, que tudo se trata de uma conspiração, mas não estou certo de que Lee Harvey Oswald tenha matado JF Kennedy sozinho. Também duvido que o Acre exista e que a Carla Perez tenha cérebro. Não acredito que Björk seja desse planeta e duvido que vocês, meninas, falem a verdade quando dizem que tamanho não importa.
Eu tenho essa sensação de que o mundo está errado. É uma coceira constante, que não some e não causa ferida. Às vezes, bem às vezes, isso fica claro. Como se fosse um bug no sistema, as leis da física passam a inexistir por momentos, o bom senso desaparece, e as sinapses neuronais são interrompidas por segundos. Assim, a Suprema Corte dos Estados Unidos da América não exige a recontagem dos votos na Flórida. Assim, eu, essa pequena anta, me desloco até o colégio Narciso Mendes e voto em Luis Inácio Lula da Silva para presidente. Assim, Franz Ferdinand é elevado a categoria de melhor banda de 2004.
Eu não sei finalizar textos.
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Ao som de Cinematic Orchestra - Panoramica [Piero Umilian]
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Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
Um motivo pra sorrir
E era tão bom. Por um momento pensei que poderia registrar com uma foto. Porém, nem o mais observador e sensível dos fotógrafos conseguiria registrar tal momento com tudo que ele representava. Nada material seria tão abrangente. E, assim, recorro à memória, essas lembranças únicas que me fazem sorrir.
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Outro motivo pode ser encontrado aqui.
:: Resmungado por Cesar às 11:12 AM ::
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Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Rapidinhas como sinal de vida
1) O final de ano desabrocha nas pessoas um sentimento bem interessante. Não falo de amor ao próximo, o que me embrulha o estômago só de pensar. É esse senso crítico a respeito dos acontecimentos do ano que me interessa. Infelizmente, esse sentimento é tão efêmero quantos os fogos que abrem o novo ano. Talvez isso possa ser explicado pela idéia falsa de recomeço que o início de ano representa. É falsa porque, depois de 2 dias, todos voltarão ao mesmo escritório, na mesma cidade, com o mesmo trânsito estressante. Todos precisam se enganar um pouco.
2) As pombas em Curitiba estão tão folgadas que hoje pisei no rabo (cauda, né?) de uma delas. Lazarentas!
3) Tem como não odiar quem diz "fala sério"?
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Postado ao som de The Gay - Fidelity
:: Resmungado por Cesar às 10:21 PM ::
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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
´Fim de ano é hora de...
...I have a terrible, chilling, bone-shaking experience: the most pathetic man in the world gives me a smile of recognition. The Most Pathetic Man In The World has huge horn-rimmed spectacles and buckteeth; he's wearing a dirty fawn anorak and brown cord trousers which have been rubbed smooth at the knee; he, too, is being taken to see Howard's End by his parents, despite the fact that he's in his late twenties. And he gives me this terrible little smile because he has spotted a kindred spirit.
Não farei uma resenha de "Alta fidelidade" do Nick Hornby. Tampouco falarei sobre alguma experiência falsa sobre uma ida ao cinema com meus pais. É que, quando se trata de top 5, as famosas listinhas, devemos começar a coisa toda citando Rob Fleming, mesmo que isso nada tenha a ver com o tema que será discutido.
Quando as músicas natalinas começam a tocar em tudo quanto é lugar, além de buscar paciência que resta em algum lugar do corpo, também é hora de pensar nas listinhas do ano. Top 5 filmes, álbuns e livros do ano. Foi assim que utilizei o tempo gasto no banheiro após a refeição pensando nos 5 melhores álbuns do ano.
5 - Pedro the Lion - Achilles Heel
4 - Björk - Medulla
3 - Modest Mouse - Good News for People Who Like Bad News
2 - Lali Puna - Faking the Books
1 - Saturday Looks Good to Me - Every Night
P.S. 1: "Antics" do Interpol, "Sonic Nurse" do Sonic Youth, "From a Basement On The Hill" do Elliott Smith e "American Whip" do Joy Zypper poderiam entrar na lista.
P.S. 2: Me recuso a fazer a top 5 meninas como me foi sugerido.
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Domingo, Dezembro 12, 2004
Béts e Counter Strike
Estava lendo algumas opiniões em um site (ok, no orkut) sobre brinquedos e brincadeiras da infância. Era quase unânime a opinião de que as crianças de hoje em dia não aproveitam sua infância como deveriam. Eu mesmo, em outras ocasiões, comentei sobre o assunto. O consenso era que, atualmente, as crianças repudiam qualquer outra brincadeira pela chance de sair matando coleguinhas no Counter Strike ou Quake da vida.
Posso dizer que sou da geração do meio*. Conheço todas as brincadeiras de rua possíveis e me diverti muito jogando "Enduro" no Atari, "Rock'n Roll Racing" no Mega Drive e jogos de primeira pessoa no PC. Parte dessa implicância com as crianças sedentárias e pentelhas do presente, não passa de uma vontade intrínseca de retornar a infância. Digo isso porque percebi que funciona assim comigo. É um saudosismo saudável. Só estou na frente do pc, escrevendo, porque não acharia um puto que quisesse jogar béts comigo na rua aqui em frente a minha casa. Imagine, então, brincar de "esconde-esconde", "mãe-rua" e "garrafão".
Entendo as crianças sedentárias e pentelhas. Confesso que eu era um fiasco jogando bolinha de gude e machuquei muito minha canela tentando jogar aqueles piões de madeira que possuem um prego na ponta. Da mesma forma, nunca consegui fazer um estilingue tão bom quanto os que o meu pai fazia. Tenho certeza que, no fundo, meu pai olhava para mim tentando rodar um simples pião de madeira com um sentimento ambíguo: tristeza de ver que seu filho nem conseguia girar um pião sem deixar as canelas roxas e saudade da infância. A diferença entre o sentimento que nós, pessoas (crianças, né?) de vinte e poucos anos, sentimos em relação às crianças do presente e que nossos pais sentiam em relação a nós, varia apenas em grau. Parece ser maior devido ao advento da tecnologia nas brincadeiras infantis. Enfim, tudo isso é natural.
Não tem como esperar que as mudanças naturais na sociedade e nas cidades não reflitam no comportamento das crianças. A tecnologia, a inexistência de espaços para as crianças correrem e a falta de segurança resultam em crianças que passam o tempo livre jogando ou acessando a rede. Uma coisa é certa: tem cada vez mais nerd no mundo.
* "Somos a geração do meio na história, sem lugar, nem propósito. Nossa grande depressão é nossas vidas. Nossa guerra é espiritual." Às vezes a vida parece um filme ou uma grande citação.
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Ao som de dEUS - The Ideal Crash. Lindo! Lindo!
:: Resmungado por Cesar às 5:15 PM ::
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Domingo, Novembro 28, 2004
Mente sem lembranças
Esqueci o que ia dizer.
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Ao som de Hurtmold - Tele.
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Sábado, Novembro 20, 2004
Curita
Adoro andar pela a rua XV no final de tarde. O céu fica azul escuro e as luzes acendem, deixando a rua com uma iluminação alaranjada. Podemos perceber como foi o dia das pessoas apenas pelas suas feições. Mães passam com calma segurando sacolas de compra em uma mão e o filho na outra. Alunos andam em grupo com suas mochilas debaixo do braço. Os engravatados passam já com a gravata solta e o paletó no ombro. Alguns sentam nas mesas ao lado da rua pra tomar sorvete ou beber chopp. Por trás de toda pretensão de querer ser uma cidade modelo, existe em Curitiba uma simplicidade que ainda me toca.
Eu tenho essa relação de amor e ódio com a cidade. Sou capaz de odiar as pessoas daqui por serem conservadoras e, por um momento, me identificar com um comportamento frio e distante. Sou capaz de odiar o calor abafado ao mesmo tempo andar na chuva de verão no meio da rua. Aliás, talvez seja isso que torne Curitiba uma cidade que ainda me atrai. Sempre existe alguma coisa boa para compensar a ruim. Se existem shoppings em excesso, temos a opção de caminhar tranqüilamente pelo Largo da Ordem. O tempo inconstante do final de outono é compensado pelas folhas que caem das árvores e, com uma leve brisa, se deslocam pelas ruas e calçadas. O frio congela no inverno, porém a imagem de uma geada às 7 horas da manhã, com todo o gramado branquinho, é única. Curitiba é uma cidade difícil de odiar. Eu tento, com todas as minhas forças, mas, no fundo, sou o mais curitibano das pessoas que conheço.
Sinaleiro, penal, vina e leitê quentê.
Curitiba é o tipo de cidade em que uma flor consegue nascer sobre o ponto do ônibus. Desse jeito fica tão difícil odiar isso aqui...
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Bom, não é nada certo, mas há uma possibilidade e tanto de eu estar me despedindo hoje. Não é nada que faça alguém chorar, quanto menos sentir falta.
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Ao som de Modest Mouse com o álbum Lonesome Crowded West
:: Resmungado por Cesar às 9:32 PM ::
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Domingo, Novembro 14, 2004
Sobre essa outra coisa
Sempre me dividi entre esses dois interesses: a biologia e a cultura pop. São dois interesses praticamente incompatíveis. Grande parte do tempo, um impede o contato com o outro. A biologia me ajuda a compreender o mundo de forma racional, enquanto que a cultura pop me traz tranqüilidade e supre todas as minhas necessidades metafísicas.
O engraçado é que nunca tive uma influência forte na minha vida. A ciência sempre me interessou porque se trata de entender a realidade pelos fatos. É a busca de soluções, sempre motivado por uma pergunta. É a pergunta que consome tempo, sono e alguns neurônios. Sacrificamos tanto simplesmente para obter a resposta, não necessariamente a que queremos, mas a verdade que surge. E a resposta sempre traz mais perguntas, mas agora um passo a frente.
E tem a música, a literatura e o cinema. A cultura pop é meu abrigo. É onde me escondo quando busco algo subjetivo, algo que vá muito além do teste de Student e do qui-quadrado. A arte me permite ver com os olhos de outra pessoa e perambular por mundos que a ciência não explica. Assim, meu refúgio está no jazz, na mente do Woody Allen, Charlie Kalfmann e tantos outros.
Muitas vezes chego a pensar que sou o equilíbrio entre esses dois pontos. Sinto-me vazio sem um deles. Recentemente, isso tem me causado muito medo.
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Art is made to disturb. Science reassures. There is only one valuable thing in art: the thing you cannot explain.
[Georges Braque]
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Ao som de Interpol com o álbum Antics.
:: Resmungado por Cesar às 10:43 PM ::
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Domingo, Novembro 07, 2004
Viva o ócio
Não sei bem o motivo. Talvez seja a morte daquele jogador ou essa sensação de que estou ficando velho. Acontece que hoje eu me preocupei com esse negócio de preparo físico. Porque, assim como vocês que estão na frente do computador e não caminhando, meu esforço diário físico limita-se à queima de energia necessária para caminhar até o ponto do ônibus, pensar (nem faço isso com muita freqüência) e levantar copos de chopp.
Só me preocupei porque resolvi correr para fugir da chuva. Lá pelo segundo quilometro, quase parei uma ambulância que cruzava a avenida. Talvez tenha sido após os quinhentos metros, não sei bem, afinal quase perdi a consciência. Foi depois disso que tomei uma decisão drástica. Uma decisão que acabará de uma vez por todas com aquele mal estar típico ocasionado pela falta de ar. A partir da semana que vem, não mais correrei de chuva. Prefiro me molhar.
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Depois, quando sou obrigado a usar todos os meus poderes aplicando as técnicas de Pai-Mei para arrancar olhos verdes e atingir os 5 pontos que explodem o coração, dizem que sou violento. Esse papo de "a vingança nunca é plena mata a alma e a envenena" não tá com nada. Vai ter volta, viu mocinha?
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Postado ao som de dEUS - Instant Street.
:: Resmungado por Cesar às 8:00 PM ::
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Quinta-feira, Novembro 04, 2004
Hummm... e o que você acha disso?
Dias atrás, fiz um teste psicológico. Queriam saber se eu não pegaria no volante de um carro para passar por cima de outros humanos ou qualquer outro tipo de animal. Eu tentei convencê-los de que eu bem que seria capaz de matar muita gente caso me deixassem dirigir. Mas o bacana é que eu pude, enfim, lembrar o motivo de todo meu amor pelos psicólogos da PUC.
A primeira coisa que me irritou na coisa toda, foi o fato da mulher achar que estava falando com um bando de retardados. Tudo bem que muitos ali eram retardados, mas daí a generalizar é foda. Fiquei ouvindo por uns 5 minutos a psicóloga da PUC falar sobre a forma de preencher o formulário. Porra, se o cara não consegue preencher seu nome, idade e grau de escolaridade, é óbvio que o puto não pode dirigir. Mas elas não sabiam disso. Tanto não sabiam, que vieram me perguntar se tinha alguma dúvida.
- Meu nome é com "s" ou "z"?, disse.
- O quê?
- Nada não...
- Pode falar
- Não, eu só queria saber se entrego agora pra você...
Antes de continuar, tenho que confessar algo. Eu tenho essa mania de mentir muito quando converso com psicólogos. E não é essa coisa pouca de falar que eu sou filho do presidente da TAM, é algo mais do tipo criar toda uma história de batalha familiar pela liberdade de um país africano. Como sou branco feito bunda de polonês (só que não tenho tantas espinhas), digo que nasci na Itália antes de desbravar o continente Africano com o objetivo único de levar liberdade para o povo sofrido. E esse era o meu objetivo quando fui fazer o teste, contar um monte de ladainha.
Tive que fazer uma redação sobre a minha mãe. De início, resolvi que escreveria algo sério, verdadeiro, mas mudei de idéia no meio. Comecei escrevendo que falar sobre a minha mãe era, de certa forma, falar sobre uma pessoa totalmente diferente de mim. Mas, lá no meio do texto, mudei de idéia quanto a seriedade e acabei dizendo que ela era motivo de orgulho para mim, porque havia lutado de forma corajosa pela liberdade do país no final da década de 60. Disse, inclusive, que ela tinha sido presa e torturada. Como ela era o oposto de mim, fiquei caracterizado como um belo de um loser. Mas também não é o caso de ser totalmente uma mentira nem nada.
Depois da redação, tinhamos que resolver umas questões idiotas que também são utilizadas em teste de QI. Quem acabasse podia fazer os 3 desenhos: a casa, com a folha na horizontal, a árvore e a pessoa, ambos com a folha na vertical. Como acabei tudo antes, fiquei colocando detalhes no boneco que desenhei. Primeiro me arrependi, pois achei que deveria ter desenhado ele pelado, mas as psicólogas propositalmente não forneceram borracha, por isso não pude voltar atrás. Depois resolvi que ia desenhar um pinto na camiseta do cara, mas lembrei que elas já iriam me achar um loser por causa da redação. Poderia até ser diagnosticado como louco, mas como loser que só pensa em sexo não dá. Ia colocar o nome de uma banda, Mclusky. Mas aí podiam pensar que sou indie. E, na boa, prefiro ser louco e loser que só pensa em sexo a indie. Acabei desenhando uns quadrados com losangos dentro.
Quando acabei o teste a mulher me desejou boa sorte. Sorte teria se tivesse a oportunidade de conversar com ela. Ah... e passei no teste. Não que isso signifique que sou normal da cabeça.
PS.: eu perguntei para o cara da auto-escola quantos pontos eu perderia caso atropelasse uma velhinha. E estou pensando seriamente em fazer a mesma pergunta no teste prático.
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Ao som de Lali Puna - Scary World Theory. Foda!
:: Resmungado por Cesar às 10:46 PM ::
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Quinta-feira, Outubro 28, 2004
Filosofia nerd
Ela - Você viu o rapaz que morreu no jogo de futebol ontem?
Eu - Vi sim, que foda...
Ela - É, imagine a situação dos outros jogadores em campo, tendo que ver o colega de profissão morrer desse jeito.
Eu - Não foi à toa que pararam o jogo no meio. É sempre chocante ver um atleta ter morte súbita, e já deve ter sido o terceiro esse ano.
Ela - Pois é, por isso que não pratico esportes.
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Ao som de Ryan Adams - Come Pick Me Up (cantarolando na mente)
:: Resmungado por Cesar às 6:31 PM ::
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Quinta-feira, Outubro 21, 2004
O que o psicanalista diz sobre mim
Louco eu tenho quase certeza que não sou. Merda eu nunca comi, mas já rasguei dinheiro. Acidentalmente, claro. Eu nunca tomei água da privada, mas já enfiei a mão em uma pra pegar a chave que havia derrubado. Estranho eu sou às vezes. Não falo sozinho, mas tenho vontade de rir quando tenho oportunidade de presenciar fatos bizarros, mesmo que esteja desacompanhado. Indiferente eu consigo ser em boa parte do tempo, quando quero. Mas também não tenho essa vontade em boa parte do tempo. Crítico é uma coisa que eu sou. Já arrogante eu não sou, apesar de alguns (algum?) acharem que sim. Sobre minhas desordens de comportamento, o teste tem algo a falar.
Paranóico é uma coisa que, definitivamente, eu não sou. Não ando pelos cantos suspeitando de tudo que acontece ao redor, apesar de não negar minha desconfiança em freiras. Em freiras e no orkut. Desses dois sim eu tenho um puta receio, mas já falei disso por aqui.
Também não tenho personalidade esquizóide. Uma personalidade esquizóide se caracteriza pela dificuldade de relacionamento e confiança em outros indivíduos. Eu sou moderadamente esquizóide, pelo menos é o que diz ali em cima.
Personalidade "Schizotypal". Isso eu também não tenho. Essa personalidade é tipo uma esquizofrenia branda. Tem toda aquela forma singular de pensar e perceber a realidade. Eu li que esse tipo de pessoa tem dificuldade de concentração por longos períodos. Hmmmm... eu ia escrever algo sobre isso, mas passou uma mosca aqui na frente e me desconcentrei totalmente. A mosca posou no ombro do cara que levou um tiro na cabeça. É, eu vejo pessoas mortas... todo o tempo.
Anti-social é uma coisa que alguns dizem que eu sou. Mas as pessoas que dizem isso, das duas uma: ou são burras, ou não entendem nada de porra nenhuma. Segundo a definição dos amados psicólogos, os indivíduos com personalidade anti-social possuem dificuldade em adaptar-se às normas e comportamentos sociais. Minha avó diria que são "porra loucas". Eu li alguns textos que diziam que indivíduos com esse distúrbio desafiam a ordem social, podendo até violar as leis estabelecidas. Não sei, aí eu acho que se trata de um sociopata e não de uma personalidade anti-social. Quer dizer, o anti-social é o cara que quer te ver calado e o sociopata é o cara que quer calar a tua boca. Sobre eu ser anti-social: só não gosto de certos tipos de pessoas, as outras eu estou pouco me fodendo.
Eu realmente não tenho personalidade borderline. Se não sabem o que é isso, problema é de vocês! Não vou mais explicar os distúrbios. É normal indivíduos com personalidade borderline ferirem a si próprios. Só machuco meu próprio corpo cortando pães e mordendo a língua (e olha que não gosto de carne de porco).
Agora, narcisismo moderado eu nem vou me dar ao trabalho de comentar.
Obs.: os resultados demonstram que sou bem normalzinho.
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Hoje eu vi o Alborghetti ("eu disse filho da gruta... gruta!"). E mais uma coisa: Rotifera, Acanthocephala e Nematoda são grupos monofiléticos? E se sim, qual o motivo? Ó, eu me pergunto...
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Ao som de The Veils - More Heat Than Light
:: Resmungado por Cesar às 12:10 AM ::
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Domingo, Outubro 17, 2004
O bom e velho futebol
Não tinha o que fazer às 11 horas da manhã de um domingo. Dormir seria uma opção, mas acontece que nunca durmo até depois das 10 horas, mesmo chegando às 5 horas em casa. Restava a opção de ler sobre o subfilo Chelicerata, ou ir a um jogo de futebol da vigésima terceira divisão do campeonato amador de Curitiba, ou algo que o valha. Eu acho que artrópodos são bichinhos bem bonitinhos, mas eu tinha que fazer alguma coisa de macho, pra variar. Em minha defesa, antes que voem pedras rumo a minha testa, devo dizer que encarei a coisa toda como um estudo antropológico, seja lá o que isso signifique.
Assim, eu sei tudo de futebol. Sei que em um esquema 3-5-2, apesar de parecer defensivo pela presença de mais um zagueiro, os laterais têm mais liberdade para atacar. Sei também que no esquema 4-4-2, tradicionalmente utilizado no Brasil, os laterais têm maior preocupação com a marcação. Eu só não sabia bem o que era um lateral, mas o tiozinho do jogo fez questão de me explicar. Eu tentei pegar toda a explicação prestando atenção no que ele dizia, mas é tão difícil entender algumas palavras que os banguelas falam. E, na boa, que se o esquema do time da casa era 4-4-2, o do tiozinho era algo do tipo 4-2-1, com um único dente na frente, dois nos flancos e 4 na zaga.
O lugar do jogo até que não era ruim. Não pude deixar de reparar que no alambrado esquerdo havia um espaço da Aline Drink´s, o puteiro que patrocina o time. Que tipo de patrocínio era fornecido eu bem que desconfiei. Sobre o jogo nem sei o que falar, confesso que prestei mais atenção nas pessoas. E também não sei o resultado, já que sai antes do término do jogo. Mas também não é que eu estivesse interessado em saber.
O bacana disso tudo é que voltei com o vocabulário de palavrões renovado. "Ô seu juiz, meu cachorro lambe as teta da sua mãe", "esse número nove não vale o papel higiênico que usa" (essa eu ainda vou usar) e a campeã "esse comichão na bunda não deve ser só sarna". Essa última foi dita para o centroavante (o mesmo número nove), que era ruim feito o tinhoso e tinha uma bunda deveras avantajada, o que, acredito eu, explica o mau rendimento do atleta.
De qualquer forma, parece que o time se classificou para a final. Dizem que isso foi possível porque o outro time era ruim, mas eu prefiro acreditar que foi graças às minhas dicas no canto do campo: "temos que jogar pelos flancos, no costado da zaga". Uma vez ouvi isso numa dessas mesas redondas e achei que esse era o momento de usar a frase. Agora que o time foi para a final, vão jogar na série especial. Eu não sei bem qual diferença, mas pelo o que eu entendi, era como se eles abrissem o show para o Phantom Planet e agora fossem tocar junto com o Nada Surf. Isso é bom!
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Obs.: Esqueci de comentar sobre a morte do Superman. Eu não gosto muito dele, quer dizer, é fácil ser super-herói com os poderes que ele tem. É que nem eu estava dizendo: chamam o Robim de veado, mas ele não tem superpoderes, usa uma roupinha ridícula e mesmo assim tenta salvar o mundo. O ponto aqui é: o grau de heroísmo é proporcional ao quão ridículo é um herói e sua roupa. Mas também não o caso de eu ser louco e não saber diferenciar o ator do herói, que nasceu em Krypton e que ainda está vivo, morando lá no Pólo Norte.
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Ao som de Placebo - Without You I'm Nothing.
:: Resmungado por Cesar às 10:50 PM ::
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Quarta-feira, Outubro 13, 2004
Odeiomuitotudoisso
Eu estava dando uma conferida no orkut e percebi o número enorme de comunidades com o tema "eu odeio". Tem muita coisa, desde "eu odeio indies" até "eu odeio lavar louça". Teve uma menina que disse uma vez que "após banalizar o amor, as pessoas estavam, agora, banalizando a palavra ódio". Eu totalmente que achei essa frase bem genial - tão genial quanto a daquela outra menina que escreveu sobre mordiscar. Porque é óbvio que as pessoas realmente não odeiam, apenas acham chato ou desagradável. Eu meio que estava assim nos últimos dias. Repeti a frase "eu odeio" umas trezentas vezes, no mínimo.
No meu caso, tem toda essa coisa de estar ficando velho. Se me perguntassem, eu diria que é isso. Não é só a droga os cabelos brancos que ficam nascendo na minha cabeça. E também não é o caso de eu estar de mau humor por causa da mania que as pessoas tem de arrancar o fio de cabelo branco e mais outros cinco cabelos normais juntos. É a idade que está me deixando rabugento! Até porque, pelo que eu me lembre (oi, eu sou a Dory!), não era assim no ano passado, por exemplo. Não lembro de ficar irritado com a droga do secador quente do banheiro ou com velhinhas abrindo balas enquanto observo maravilhado a Scarlett umedecendo, de maneira bem sensual, seu lábio inferior.
Da maneira como vejo as coisas, ou eu vou acabar virando um ranzinza desses que odeiam tudo ou vou me esforçar ao máximo e virar uma dessas pessoas que sai por aí apertando bochechas de crianças até deixá-las vermelhas. E eu sei que isso é chato pra caralho.
E foi mais ou menos assim que eu resolvi parar de ser chato. Não que eu vá parar de tirar sarro do primeiro puto que atravessar meu caminho com um cabelo amarelo manga e usando uma camiseta do Cpm22. E também não vou começar a ver "as coisas boas da vida", quer dizer, o lado positivo das coisas. Porque, convenhamos, esse negócio de ver o lado positivo é coisa de hippie. E todos nós sabemos que se é pra dar uma de hippie, o melhor a fazer é parar de tomar banho, o que é deveras nojento. Se o secador quente salva árvores, ele bem que resseca a mão também. Isso obriga as pessoas a usarem creme hidratante que, na maioria das vezes, é produzido a partir de alguma árvore. Lado bom nada! Por isso que o melhor a fazer é relaxar e tomar sorvete.
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Ao som de Sparta - Collapse.
:: Resmungado por Cesar às 9:23 PM ::
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Quarta-feira, Outubro 06, 2004
O que somente um blog proporciona a você
Em um certo dia, mais chapado que provador de talco em território colombiano, resolvi montar um espaço para escrever algumas coisas que se passavam na minha cabeça. Depois da primeira semana, percebi que nem são muitas as coisas interessantes que pululam na minha cabeça. Mas, como tive todo o trabalho de montar o template, resolvi insistir por mais um tempinho.
Desde então, fui mal interpretado algumas vezes, acusado de ser intolerante e até de nerd. Não que essa última seja mentira, mas não é qualquer um que pode sair por aí me chamando de nerd. Também me apaixonei. Sim, por umas cinqüenta meninas mais ou menos. Até quando escrevi um texto pro meu pai disseram que eu estava apaixonado. Ah claro, como ia me esquecendo, também fui questionado quanto minha opção sexual, vejam só vocês. E não foi só porque eu coloquei no perfil que era uma 'bichinha indie', até porque não é o caso disso só acontecer na internet.
Do modo como eu entendo a coisa, só temos três possibilidades. Ou eu não sou claro no que quero dizer, ou vocês não entendem o que lêem ou, ainda, eu sou intolerante, um cara que se apaixona facilmente e um veado. Confuso eu sei que sou em certos momentos. Quanto a vocês não entenderem o que lêem, acho que também é bem possível de acontecer (acéfalos!). Agora, com relação à terceira possibilidade, uma coisa eu tenho que dizer: não me apaixono com muita facilidade.
Pensando nisso tudo, eu resolvi responder algumas questões que muitas vezes surgem quando as pessoas vêm falar comigo a respeito do blog.
1 - Por que você não coloca umas fotos aí?
Resposta: Porque daí não seria blog, mas sim flog. E tem mais, não sei se já disse isso aqui, mas sou feio pra caralho, portanto não há necessidade de me ver.
2 - Não tem como pelo menos diminuir a quantidade de palavrões?
Resposta: Claro que não, porra.
3 - Eu mandei uma mensagem pelo e-mail que tem no blog, mas ela retornou. Sua caixa tava cheia?
Resposta: Lógico que não. Caixa cheia é coisa otário. Aquele e-mail antigo estava desativado. Na verdade, coloquei ele ali só pra parecer que gostaria de receber e-mail de vocês.
Qualquer outra dúvida não será respondida.
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Ao som de Nada Surf - Bad Best Friend
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Domingo, Outubro 03, 2004
Menino simpático
Não sei bem de onde vem a influência, mas eu conversei com um estranho no ônibus. Na verdade, não converso com estranhos no ônibus. Entretanto, por algum motivo, eu puxei conversa com o menino que sentou ao meu lado. Ele carregava no colo "Morte e vida severina". É tão difícil ver alguém lendo um bom livro no ônibus. É sempre alguma coisa do Paulo Coelho ou do tipo "Como criar um filho adolescente". Dava pra perceber que ele era um estudante de curso pré-vestibular.
- Morte e vida Severina, hein? Falei apontando para o livro.
- É... pro vestibular.
- Sei como é. É um poema e tanto. Foi um dos poucos livros que li quando prestei vestibular.
- Ah, eu leio quase todos, mas não gosto não.
- Não gosta de ler?
- Não. Pelo menos não essas coisas que caem na prova.
- Sei. E do "Morte e vida Severina", você gostou?
- Eu tô acabando de ler, mas eu não gostei muito não. Quer dizer, dá pra ver que é uma coisa difícil de escrever e que o cara é bom, mas sei lá, eu não gosto muito. Não vejo a importância que o professor vê.
- Eu acho normal não gostar do livro, mas seria interessante que você conseguisse ver a importância desses autores que estudamos.
- Hmmmm.
- Eu, por exemplo, não me interesso por algumas escolas literárias, mas reconheço que suas manifestações se enquadram em todo um contexto. Quer dizer, o Arcadismo é quase uma resposta ao exagero e o rebuscamento do Barroco. Assim como o simbolismo nega o realismo, o parnasiano, evitando o científico e racional e valorizando o espiritual ou metafísico. Tudo isso está relacionado a um momento histórico. Você pode até não estar interessado em ler um poema rebuscado sobre a droga de um vaso grego, mas tem que entender que isso faz parte de um contexto e que, talvez, esse poema te conte mais que um livro de história.
- E se eu soubesse isso aí, pra que ler aquelas obras?
- Eu acho importante saber o que se fala. Você pode ouvir dizer que os autores modernistas tentavam denunciar a realidade brasileira, mas não é a mesma coisa que ler a obra e perceber isso.
- Eu ficaria contente se não precisasse ler as obras. Mas tem o vestibular.
- Se você não gosta, não leia! Eu nem pensava em vestibular quando disse isso. Pode parecer cretino vindo de um cara que já entrou na universidade, mas vestibular é o de menos. Se essa é sua preocupação, vou te dizer uma coisa, teu professor me mataria se ouvisse isso, mas vamos lá: se você ler apenas o resumo do livro e conseguir inserir o autor num contexto, é o suficiente para o vestibular. Você vai acertar uma quantidade razoável de questões, eu fiz isso. Mas, aí, vou descer. Pensa nisso que a gente falou.
- Ta bom, beleza, pode deixar.
- Você não vai pensar.
Não que eu me preocupasse se ele iria ou não pensar a respeito. Mas era como se eu tivesse que dizer aquilo. A conversa acabou quando eu cheguei no meu ponto e não quando ele chegou no dele.
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Ao som de The Postal Service - Such Great Heights (Iron and Wine).
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Quarta-feira, Setembro 29, 2004
Somente pelo último parágrafo
Não é uma descoberta recente e também não chega a ser uma coisa que vocês já não sabiam. Fato é que sou chato. Se estiver ao seu lado, provavelmente estarei tirando sarro da sua cara. Se não for da sua cara, será de algum ser que porventura cruze meu caminho. Às vezes eu tiro sarro das coisas idiotas que acontecem a minha volta. Outras vezes, eu apenas sinto aquele prazer em presenciar alguma coisa estúpida. De qualquer forma, para um cara como eu, o mundo oferece uma quantidade realmente grande de idiotas e idiotices. Não é uma questão de implicância, nada disso. É aquele prazer estranho em chatear e irritar.
Mas, assim, eu odeio quando dizem que sou chato porque não gosto de ver ou ouvir certos tipos de filmes e sons. É a mesma coisa que dizer que sou chato porque tenho gosto. E, no fundo, é disso que se trata. Ter gosto! Isso me impede de assistir filmes do John Woo ou desses heróis estilo homem-aranha, por exemplo.
Vou parar com essa besteira e falar a verdade. Só escrevi esse texto pra dizer que ele foi postado ao som de Cotton Tail, com Ella Fitzgerald. Agora meu cantinho favorito nas lojas de cds é aquele que fica escondido. Aquele que é freqüentado por velhinhos e tem uma plaquinha escrita 'jazz/blues/clássicos'.
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Domingo, Setembro 26, 2004
Meu filho
Minha infância foi bem bacana. Quebrei um número razoável de vidros, chutei a bunda de um número razoável de gatos e roubei uma variedade razoável de frutas dos pomares vizinhos. Tudo isso sem ser pego. Eu até acho que era um menino esperto, desses que fazia merda e nunca era punido. Essa parte da punição ficava por conta dos meus amigos burros. Talvez a única coisa que eu me arrependa é de não ter uma cicatriz decente dessa época. Sabe, daquela que você conta empolgado como foi o acidente. ¿Aí eu desviei da bicicleta e fui atropelado pelo ligeirinho. O ônibus me jogou do outro lado da rua e daí fui atropelado por uma cadeira de rodas¿. Isso me deixa um pouco triste.
Nem sei bem o motivo de estar falando sobre a minha infância. Acho que é porque vi uma menina na rua hoje. Ela estava andando e, de repente, caiu. Assim, do nada, que nem a porra de um saco de batatas. Se quebrou toda, a pequena anta. Sabe, eu acho que essas crianças de hoje em dia são bestas. São mesmo. Nem subir na droga de uma árvore elas sabem. Isso é outra coisa que me irrita. No meu tempo (sou velho e tal), ela seria zoada.
Comecei, então, a pensar na educação do meu filho. Na verdade, eu só queria ter um filho até seus 6 anos de idade, mas não tem como se livrar da criança depois. Eu até perguntei pra minha mãe, afinal de contas ela criou dois filhos e entende do negócio. Ela me disse que realmente não tem como se livrar da criança. Ela disse que mesmo que eu achasse alguém que a quisesse, a mudança poderia causar um trauma psicológico na criança. Eu até tentei argumentar que algum psicólogo ficaria feliz, mas não consegui achar muitos argumentos. Então aceitei que vou ter que criar a criança até seus 18 anos de idade.
Eu sempre a levaria para assistir filmes da Pixar. No meu tempo eu assistia a trapalhões (tsc). Claro, isso até os 6 anos, depois eu mostraria pra criança os belos filmes do Kubrick. Depois disso, sairíamos pra roubar frutas na vizinhança e quebrar alguns vidros. Aos 11 anos, ele seria meu companheiro de festivais de cinema. Seria criado ao som de Beatles e todo esse som alternativo que eu escuto. Aos 14 anos, ele não teria amizades na escola, pois seus colegas não saberiam conversar sobre a importância de ¿Cidadão Kane¿. Mas, também, quem precisa de amigos burros? Aos 16 anos, ele me levaria pra ouvir as bandas do Vigésimo Curitiba Pop Festival. Quando eu morrer, ele não fará um velório, mas uma festinha em que ele será o responsável pela discotecagem.
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Ao som de Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan, Charlie Parker - A Handfulla Gimme. Foda !!!
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
A razão da porra toda
Não é que eu esteja muito ocupado, até porque não é o caso. Não é que eu tenha outras coisas muito mais importantes pra fazer, porque também não é o caso. E, ainda, não é que eu esteja sem computador ou coisa parecida, porque, novamente, não é o caso. É que eu ando com uma preguiça fodida de escrever. Não seria uma grande surpresa se eu parasse de escrever esse texto agora. Mas, acho que vou continuar escrevendo por mais algumas linhas.
O problema é organizar esse monte de pensamento que pulula na minha cabeça. Sim, porque, ao contrário de vocês, seres acéfalos, eu penso num monte de coisa ao mesmo tempo. Um montão mesmo. E não é que eu dedique o tempo gasto para cagar pensando numa forma de acabar com a fome na África. Nada disso! É uma coisa mais do tipo 'três maneiras de fazer merda e culpar o vizinho'. Ou tentar descobrir se existe uma competição de tiro ao alvo para cegos nas paraolímpíadas ou, ainda, se borboletas piscam. Eu acho que não piscam, mas seria muito massa, tipo fodidamente bacana, se elas piscassem enquanto batem suas asas dotadas de uma cor bela e radiante.
Eu até tinha algumas coisas pra falar. Sobre sexo, drogas e rock'n roll, ou seja, sobre o que realmente importa nessa coisa toda de vida. Mas tá me dando uma puta preguiça e, além do mais, tem um canguru treinando boxe na minha cama. Vou meter o pé na bunda do canguru e parar de escrever.
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Ao som de Jamie Cullum - Well You Needn't. Jáiz baby, Jáiz.
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Sábado, Setembro 18, 2004
Sobre alguma coisa que eu não sei bem o que é
Então, sentei na frente do computador para escrever sobre alguma coisa. Era pra ser visceral, ácido. Era pra ser sobre o sangue quente que escorre pela testa, sobre a ardência e queimação da primeira tragada, sobre o mal estar que precede o vômito, sobre a navalha que lentamente corta a pele. E, por algum motivo, tudo me pareceu sem contexto. Não sangro mais, não fumo mais e a navalha não mais me fere. De repente, tudo estava esgotado. Era pra ser sobre alguma coisa que agora eu não sei bem o que é.
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Ao som de The Unicorns - Jellycones. Tem uma guria que é o Who Will Cut Our Hair When We're Gone na minha coleção de cds. Eu nem a conheço bem, só o suficiente pra perceber que ela é um GÊNIO e pra lamentar por todos vocês que nunca conversaram com ela.
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Domingo, Setembro 12, 2004
Sobre o sofrimento
Como sofremos, não? Eu acho que parte do que nos incomoda, do que nos faz sofrer, é decorrente da idealização do que deve ser nossas vidas. Ame, ganhe dinheiro, compre a televisão de 29 polegadas, seja feliz! Ah, a felicidade. Vendida pela TV como se fosse mercadoria que um dia estará ao nosso alcance. A droga que todos buscam no século XXI. O orgasmo eterno!
É estranho falar de sofrimento, porque a causa não é uma constante. Jamais conseguiria dar uma idéia geral do que pode causar sofrimento, porque a causa pode ser o menino de rua que te pede dinheiro até a falta de amor ou a miséria. Acho que foi o Bono Vox que falou que não devemos subestimar nossas dores. Eu realmente acredito nisso! Porque, no fundo, não importa se a causa do seu sofrimento é nobre, ou é grande, o que realmente interessa é o que ela causa a você. Pode ser patético aos olhos alheios, mas ela machuca da mesma forma.
Pensando em sofrimento, sentindo também, eu estava me lembrando da idéia de viver com o foda-se ligado. É uma forma de diminuir, de dar menor importância ao que vem acontecendo de errado. Pensando bem, não é uma forma positiva de encarar os problemas da vida, é uma forma de fugir deles tentando ignora-los. Talvez seja melhor encarar o ácido nas costas da mão. Talvez seja melhor não desviar da dor, mas encará-la de frente. "A dor é sua cura". Estou inclinado a acreditar nisso atualmente, tanto que extrapolo meus limites pensando em tudo que está errado até que não agüento mais e paro. No dia seguinte tudo está mais calmo.
Gostaria de colocar aqui um texto sobre essa idéia de "a dor é sua cura", mas infelizmente perdi. De qualquer forma, Trainspotting:
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Ao som de Björk - Sonnets-Unrealities XI. Tem uma guria que é o Post da Björk na minha coleção de cds.
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004
O medo
Tem essa guria que fica me encarando no ônibus. Primeiro achei estranho, depois achei bizarro e, finalmente, hoje em dia morro de medo. Não é que ela seja estranha, até acho que ela não é. Se me perguntassem sobre sua aparência física, diria que não é bonita, porém também não é feia. Diria que ela é gostosa, o que é bom. Ela, como eu, é usuária do famigerado Inter 2. Pra quem não sabe, o Inter 2 é uma espécie de inferno sobre quatro rodas. É o pesadelo do transporte urbano curitibano. Dizem, inclusive, que esse ônibus possui a maior concentração de pessoas feias por metro quadrado na cidade de Curitiba, perdendo apenas para o terminal do Guadalupe. Ou, como dizem os feiosos, Guardalupe.
Como forma de autopreservação, tentei mudar meu horário nos últimos dias, a fim de evitar o temido encontro com a menina. Tal medida tem dado resultados, haja visto que não mais a vi nos últimos dois dias. Sinto-me seguro. Seguro para os padrões do Inter 2, claro.
A prova

:: Resmungado por Cesar às 1:32 PM ::
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Quarta-feira, Setembro 08, 2004
Diálogos
*1*
- Estou estagnada. Fica mais fácil?
- Não... Sim, fica mais fácil.
- É? Olhe só pra você.
- Obrigado. Quanto mais você sabe quem é e o que quer menos deixa que as coisas o perturbem.
- Só que eu não sei o que tenho que ser. Tentei ser escritora, mas detesto o que escrevo. Tentei tirar fotos, mas todas ficam medíocres. Toda garota passa pela fase da fotografia, como a fase dos cavalos. Tirar fotos idiotas do próprio pé.
- Você irá descobrir. Não me preocupo com você. Continue escrevendo.
- Mas não sou nada de mais.
- Isso já é bom.
*2*
- Tenho a impressão de que você está caminhando para alguma espécie de queda... uma queda tremenda. Mas, honestamente, não sei de que espécie... Está me ouvindo?
- Estou.
- Talvez da espécie que faz com que a gente, aos trinta anos, se sente num bar e odeie todo mundo que entra com jeito de quem jogou futebol numa universidade. Ou, então, você conseguirá instruir-se o bastante para odiar todo mundo que diz:"É um segredo entre mim e você". Ou talvez acabe em algum escritório atirando clipes na taquigrafa mais próxima. Não sei mesmo. Mas você entende o que estou querendo dizer, não entende?
- Entendo ...
- Está bem. Agora, escuta aqui um momento... Pode ser que eu não consiga expressar isso tão bem quanto eu gostaria, mas escrevo uma carta pra você amanhã ou depois explicando tudo. Aí você vai entender direitinho. De qualquer maneira, presta atenção agora. Esta queda para a qual você está caminhando é um tipo de queda especial, um tipo horrível. O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque de seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la. Tá me entendendo?
- Sim, senhor.
- Está mesmo?
- Estou sim.
- Não quero te assustar, mas vejo você, com toda a clareza, morrendo nobremente, de uma forma ou de outra, por uma causa qualquer absolutamente indigna.
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Ao som de Jesus and Mary Chain - Just Like Honey.
:: Resmungado por Cesar às 9:24 PM ::
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Domingo, Setembro 05, 2004
Fechados por motivo de falecimento
Sabe, tem algumas coisas que me incomodam. Sempre que eu ia a algum estabelecimento e via que ele estava "fechado para balanço", achava aquilo tudo muito inútil. Grande merda. Como se me preocupasse com o motivo da espelunca estar fechada. Era que nem na escola. Tinha os dias que eu faltava, ou porque estava com preguiça, ou porque estava doente ou, o mais comum de todos, porque estava com preguiça e fingia estar doente. Aí eu tinha que ir no dia seguinte pra não ficar com faltas e tal, e os meus amiguinhos ficavam perguntando porque eu tinha faltado. Nem que tivesse faltado para salvar Curitiba da detonação de uma bomba nuclear (nu-cu-lear) ou matado aula pra tratar das minhas hemorróidas isso seria do interesse daqueles nojentinhos. Imagine, então, minha inflamação falsa de garganta.
E tem as outras mensagens também, essas são piores. "Fechado por motivos de falecimento" ou, ainda, "Fechado por motivos de falecimento na família". Na maioria das vezes, tipo quase sempre, eu nem ligo pra mensagem. Mas, assim, meio que de vez em quando, eu leio e até fico com pena dos putos. Isso me deprime um pouco até. Pior quando é "falecimento na família", porque daí eu fico pensando que pode ser a filha, uma gostosinha quem sabe, ou a mãe ou a avó, e isso me deprime anda mais. Mas só de vez em quando mesmo, na maioria das vezes estou pouco me lixando.
De qualquer forma, eu acho que as pessoas deveriam parar de justificar o motivo de não irem trabalhar ou de não irem para a escola, por assim dizer. Devemos justificar exatamente o oposto. O primeiro caso não é tão difícil, já o segundo, ainda não pensei nos reais motivos que me levaram a freqüentar uma escola. Talvez por causa do primeiro ou, mais provavelmente, porque meus pais me obrigaram. Sei lá.
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Só pra continuar sendo o "adolescente de 12 anos revoltadinho": ei, Galvão, vai tomar no cu!
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Ao som de Björk - Oceania.
:: Resmungado por Cesar às 9:46 PM ::
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004
Banheiros
Não é uma questão de ser fresco. Mas também não chega a ser uma reclamação. É que, tipo, eu meio que sou acostumado a lavar minhas mãos com sabonete e ter algo para enxugá-la. E também não é bichice ou necessidade, mas é que sou acostumado a ter um banheiro limpo para poder fazer o número 2. É tudo culpa desse negócio de estudar em colégios particulares e coisa e tal. Esses anos todos me tranformaram num fresco e eu realmente sinto falta dessas coisas lá no lugar onde fico.
Eu estava analisando as possibilidades. O fator importante aqui é distância mesmo. Se precisar ir ao banheiro, caminharei até o shopping. Deve dar uns 500 metros mais o tempo apara entrar no lugar e achar o banheiro. Também tenho que me preocupar com o tempo gasto para atravessar a avenida. O problema é que se houver algum tipo de emergência para realização do número 2, existe uma bela possibilidade de eu me borrar todo durante o percurso, o que seria um puta de um desastre. Um puta de um desastre que abalaria todo o meu mundinho. Daí que eu vocês podem pensar na velha possibilidade da moitinha estratégica, mas isso aí, como vocês devem saber, é coisa pra quem não é nenhum pouco fresco o que, convenhamos, não vem ao caso. Sem falar que o lugar anda bombando, de modo que moita estratégica seria praticamente sinônimo de Floresta Atlântica do litoral. Daí que o shopping continua sendo o canal.
Agora preciso caminhar ao shopping uma vez por dia durante um mês mais ou menos (seria um N amostral bom), sempre cronometrando o percurso. Assim poderei tirar o desvio padrão do tempo. Também posso analisar algumas variáveis, como a temperatura, umidade do ar e ausência ou presença de sol. Isso, sem dúvida nenhuma, pode interferir do desempenho da mina caminhada até o WC do shopping. Os valores serão submetidos a análises estatísticas, a fim de verificar a significância ou não das possíveis diferenças observadas. Não sei, mas acho que inicio os testes após o feriado. Ou, uma opção mais forte e de macho, crio vergonha na cara e uso banheiros sujos.
Não que seja uma necessidade.
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Ao som de Modest Mouse - Float On.
:: Resmungado por Cesar às 2:40 PM ::
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Terça-feira, Agosto 31, 2004
Fashion
Tem aquele programa de moda da MTV. Na verdade não é um programa de moda, é uma top model que fica ensinando os outros a se vestir. Não é que eu entenda de moda e coisa e tal. Aliás, não é que eu me preocupe com esse negócio todo de saber o que está na moda ou de combinação de cores para sair por aí dizendo que isso ou aquilo é o "ó". Mas, assim, a top model lá, que é bem gostosinha, diga-se de passagem, acaba piorando o visual da galera. Isso meio que me irrita. Se fosse pra fazer um programa pra piorar o visual, bem que podiam colocar a Adriane Galisteu apresentando, porque daí eu não teria vontade nenhuma de assistir.
É claro que não tem como ver um programa desses sem pensar em quem realmente entende da coisa, os bichinhas do Queer eyes for the straight guy. Nem vou comentar sobre a parte de decoração, porque isso a top model não faz e até seria covardia. Aquele cara loirinho manda muito melhor que ela em se tratando dessa coisa de ser fashion. Talvez porque ele era o cara que fazia as roupas para as mulheres como ela usarem. Ou porque, convenhamos, a maioria dos homossexuais tem todo um senso estético mais aguçado. Se fosse pra ensinar alguém a vestir uma sandália em 1.3 segundos, talvez ela fosse a pessoa indicada. Agora, pra combinar uma sandália com uma saia de jeans com lavagem bacana e uma blusinha com ombro único aí, com certeza, eu confiaria no loirinho gay.
Mas, em termos de atrativo sexual, a top model ganha de longe.
Happy Birthday
Tem essa menina que é bem única. Essa menina que fala "peculiar". Essa menina com sotaque de caipira. Essa menina que fala inglês como poucos. Essa menina que chora quando vê um ceguinho. Essa menina com pés bonitos. Essa menina que é bacana até quando está te mandando tomar no cu. Tipo a Melissa, que hoje completa alguns anos de idade. Feliz aniversário guria! Mesmo sabendo que ela não entra aqui.
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Ao som de The Decemberists - Los Angeles, I'm Yours.
:: Resmungado por Cesar às 8:05 PM ::
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Domingo, Agosto 29, 2004
Homem
Temos uma certa tendência, por mais que neguemos, de sermos maniqueístas. Assumimos certos comportamentos e os temos como certos, corretos ou bons. Qualquer comportamento que extrapole o convencionado como bom é, portanto, mau ou errado. Cabe a nós questionarmos de onde surgiu a idéia de que essa ou aquela atitude é boa. Nietzsche ocupou parte do seu tempo para responder essas questões. Ao contrário do que se dizia, ele afirma (recorrendo a origem dessas palavras) que o ato "bom" não é definido pelo sujeito que sofre a ação, mas pelo sujeito que promove a mesma. O "mau", é o comportamento mais oposto. Quem definia o "bom" eram os nobres. Para quem sofre a ação é natural que ocorra um remorso.
Para usar um exemplo seu: a ovelha que vive em grupos se alimentando de pastagens é, ocasionalmente, atacada por aves de rapina. Do ponto de vista da ovelha, que está pastando calmamente em seu canto, o comportamento das aves de rapina é mau, errado. É normal um rancor de sua parte. No entanto, qualquer comportamento que seja diferente ao da ave de rapina, como àquele mais oposto, menos ofensivo da ovelha, é tido como "bom". Assim, temos uma idéia de "bom" e "mau". A "incapacidade", a "fragilidade", a "acomodação" da ovelha, passam a ser vistos como virtude. Mas a ave de rapina apenas gosta da carne suculenta das ovelhas, que culpa tem elas? Se espera, portanto, que a ave de rapina não seja ave de rapina, mas sim ovelha. Isso não é possível. Assim funcionaria com o homem, segundo Nietzsche.
Herdamos a idéia de "bom" e "mau" de gerações passadas. Mesmo assim, ainda imagino um aspecto individual atuando. Um aspecto individual que fica logo abaixo da moral. O que eu sinto, o que eu acredito, a minha ação é o comportamento padrão bom. O do outro, o contrário, o ofensivo a mim, é o errado. Quer dizer, a ovelhinha pode pensar: a ave de rapina é má, eu devo ser uma ovelha. Mas, e se eu derrubar a ovelha ao meu lado quando a ave de rapina vier nos atacar? Alguém será capturado mesmo, mas não serei eu. O gupo vai ser beneficiado com uma captura fácil, que dispense outras investidas que venham a ferir minhas estimadas coleguinhas. Ela continua sendo uma ovelha.
Dia desses assisti um documentário sobre o filme "O Grande Ditador", do Chaplin. Lembrei-me do seu discurso final. Em certo momento, ele diz que os homens querem paz, querem ajudar uns aos outros, colocar o sorriso no rosto do outro. É, sem dúvida nenhuma, um belo discurso. Mas, infelizmente, não sei se corresponde com a realidade. Acredito que o homem é egoísta. Creio, e pode ser doloroso, que o egoísmo é favorecido na sociedade. O homem não age para o grupo, age para si mesmo, para favorecer a si mesmo. O homem age para o grupo, quando isso favorece a ele também, dando a falsa idéia de que está sendo bom a todos e para todos. Quem conseguir potencializar as atitudes egoístas, agindo individualmente e para o grupo (na verdade para si também) terá uma vantagem e tanto sobre os demais. O agir para o grupo, por mais que esteja sendo fundamentalmente egoísta, é essencial. A imagem ocasionada pela ação parece mostrar o contrário da real intenção.
No livro "O gene egoísta", de Richard Dawkins, temos vários exemplos desses comportamentos no reino animal. O autor afirma que não necessariamente isso deva ser extrapolado aos homens, uma vez que temos outros aspectos atuantes (moral).
Não gosto de falsidade (até me envergonho pelo clichê). Não gosto de pessoas que se mostram diferente do que realmente são. No entanto, numa sociedade, alguém consegue imaginar melhor comportamento de adaptação? Eu, entre nós, homens, não consigo no momento. É o egoísmo na sua forma mais clara de manifestação, ao mesmo tempo que é o comportamento inadequado do bom homem, segundo a moral cristã. A mesma que, segundo Nietzsche, apequena o homem. O ser humano quer ser forte, conquistar e ser amado. Exigimos dos seres humanos que não sejam quem realmente são.
Talvez assim, certos comportamentos sejam mais fáceis de serem aceitos. É o homem sendo ele mesmo. É claro, não estou justificando atitudes condenáveis de ninguém e muito menos minhas. Quero dizer, e talvez isso seja o motivo do texto, que até entendo certos comportamentos que venho presenciando. Estais agindo como realmente és, mesmo que condenes isso! O suposto (verdadeiro, talvez, isso é possível) ódio ou repúdio à falsidade é a garantia perante os outros de que você é uma pessoa verdadeira. Não falo mais sobre esse tipo de coisa aqui, juro.
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Ao som de Elliott Smith - Cupid's Trick. Ele é o cara que se matou com uma facada no peito ano passado.
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Sexta-feira, Agosto 27, 2004
Lobo em pele de cordeiro
"em ti confiei e me perdi no que pensei ser conforto. e se isso não foi suficiente, hoje não te sinto presente. em ti, vi mais do que uma pessoa séria, pra quem o amor é rejeição e sofrimento. e se não me fiz compreender, é porque sou mais você do que pode entender. se não fui claro, acredite, foi porque o sorriso ao te abraçar dizia mais do que eu posso expressar. mas saiba que sentimentos, mesmo nesse caso, são sutis. e se hoje eu pudesse voltar pra mudar, ainda assim seríamos você lá e eu aqui. mas deixa assim, como está, pra que assim eu possa, enfim, me despedir". (Post publicado por este cretino no dia 22 de março desse ano).
Eu tinha passado no vestibular, quando a minha namoradinha veio falar comigo. Não lembro tudo que ela me disse. Mas a frase final, dessa sim eu lembro. Foi mais ou menos assim: "eu pensava que você era sensível e romântico, até descobrir que você finge ser os dois muito bem". Declaração sincera, revoltada e chocante até. Lembro que depois de ouvir isso dei o último gole na cerveja que esquentava, olhei pra guria e não pensei em absolutamente nada pra dizer. Até hoje eu não sei bem porque a menina disse isso. Ela era meio louca, isso era.
O problema é que, enquanto ela falava, eu não conseguia pensar em outra coisa senão na cerveja que esquentava.
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Quem aqui se atreve a me dizer o que é arte?
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Ao som de Ash - Evil Eye
:: Resmungado por Cesar às 7:16 PM ::
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